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Economia Economia

Dia da Mulher: bolsa virou sinônimo de investimento, moda é ter lucro

Elas ainda não são maioria na Bolsa de Valores, mas já respondem por 26% dos investidores em ações no país

08/03/2021 01h10
Por: Redação Fonte: R7 - Márcia Rodrigues, do R7
Betina: quanto mais mulheres falarem sobre investimentos, mais incentivo dão para outras - (Foto: Divulgação Rico Investimentos)
Betina: quanto mais mulheres falarem sobre investimentos, mais incentivo dão para outras - (Foto: Divulgação Rico Investimentos)

As mulheres podem ainda não ser maioria nos investimentos na Bolsa de Valores brasileira, mas estão aumentando a sua participação a cada ano, saltando de 179.392 em 2018 para 809.533 em 2020.

Atualmente, elas respondem por 26% dos investidores, mas o número promete aumentar.

Eu acredito que a mulher precisa ter uma referência para ingressar em um mercado ou fazer alguma atividade. Quanto mais mulheres falarem sobre investimentos e trabalharem na área, mais incentivo darão para outras investirem também.

Betina Roxa, estrategista-chefe da Rico Investimentos.

Para a especialista, a estimativa é de a representatividade feminina cresça em todos os tipos de investimentos.

“Mesmo com uma pesquisa mostrando que mais da metade das mulheres acredita que os parceiros entendem mais de finanças do que elas, sou otimista em dizer que as mulheres vão cada vez mais tomar espaços que ainda são majoritariamente masculinos”, conta Betina.

Nesta segunda-feira (8), “Dia Internacional da Mulher”, conheça mulheres que começaram a investir em ações em um período nebuloso – ano passado, quando a Bolsa de Valores registrou queda em vários momentos por causa da pandemia do novo coronavírus – e se mantiveram firmes no mercado antes inexplorado.

 

 

Pai economista inspirou gosto para investir
Edna e Mevi no dia em que a haitiana se casou
Edna e Mevi no dia em que a haitiana se casou - (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

Geórgia Ferrari tem 29 anos e é coordenadora de marketing. Desde pequena ela diz que aprendeu a cuidar do seu dinheiro.

“Meu pai é economista, por isso eu e minha irmã aprendemos desde cedo a cuidar do nosso dinheiro. Não segui o mesmo caminho que ele, me formei em nutrição, mas sempre tive em mente a importância de fazer uma reserva”, diz.

Geórgia diz que começou a investir em renda fixa em 2018, mas foi na pandemia que decidiu seguir um caminho diferente do pai, assumidamente conservador.

"Vi meus investimentos começarem a derreter com a Selic [taxa básica de juros] cair e chegar a 2% ao ano. O fundo de renda fixa que mantinha meu dinheiro apresentava rentabilidade negativa. Daí comecei a procurar informações, conversar com pessoas ao meu redor e passei a investir na Bolsa", conta.

Geórgia conta que antes de iniciar a jornada buscou bastante informação e contou com a ajuda de um assessor financeiro. Também leu livros, viu filmes e percebeu que tinha o perfil mais arrojado do que seu pai e iniciou seus investimentos.

A coordenadora de marketing fez a lição de casa e também traçou seus objetivos para o que fazer com o dinheiro no longo prazo, como mandam os especialistas.

“Quero me casar, ter filhos e comprar uma casa daqui a 5 anos. Também desejo me aposentar aos 55 anos e conseguir fazer, pelo menos, uma grande viagem por ano.”

Baixa no preço das ações na pandemia motivou investimento

Há um ano, a gerente de marketing Caroline Rocha, 34 anos, resolveu trocar a certeza da renda fixa pelos altos e baixos da Bolsa de Valores.

Ela começou a investir em ações bem na pandemia e quando viu a Bolsa de Valores acionar o circuit break – mecanismo de paralisação da bolsa ativado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao fechamento do dia anterior – mais de uma vez.

“Tomei coragem para começar e não quis deixar a oportunidade de comprar empresas mais baratas durante a crise econômica. Optei por ações que conhecia as empresas e já investia nelas em fundos de renda variável.”

Caroline diz que já senti o rendimento de algumas empresas.

“Umas ações valorizaram bastante, outras estão oscilando pra cima, para baixo ou estão no zero a zero. Não me preocupo porque sei que é um investimento para o longo prazo.”

A gerente de marketing diz que mantém uma reserva na renda fixa e que ainda não tem apartamento próprio por opção.

“Eu prefiro morar de aluguel e investir o dinheiro que iria usar para comprar um imóvel. Meus investimentos em ações eu projeto atingir o resultado daqui a 20 anos pensando na aposentadoria.”

Voz feminina no mercado financeiro desde 1986

Adriana Runte tem 56 anos e é operadora de mesa da Ativa Investimentos. Diferentemente de Geórgia e Caroline, ela entrou no mercado financeiro em 1986.

Geórgia fez bons negócios na pandemia
Geórgia fez bons negócios na pandemia - (Foto: Arquivo pessoal)

Começou como estagiária da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, uma das primeiras bolsas a entrar em operação no Brasil e que em 2008 foi incorporada pela BM&FBOVESPA.

Ela conta que na época, disputou 10 vagas com mais de 100 candidatos. Desse total, apenas duas mulheres foram aprovadas.

“Era como se fosse um trainee na época para rodar a Bolsa inteira. Passei pelo pregão, pela área de risco, e quatro meses depois fui efetivada”, lembra.

Adriana se lembra da época em que ser mulher num pregão era motivo de olhares dos demais operadores.

No início do ano passado, a quantidade de investidoras somava 5.072, saltando para 7.857 mulheres em fevereiro deste ano, de acordo com dados referentes ao fechamento do último dia 28.

 

As mulheres estão se familiarizado cada vez mais com a área financeira e, à medida que se tornam cada vez mais predominantes no mercado de trabalho, passam a buscar soluções para seus investimentos.

Karol Falcão