Instituto que deixa hospital cita dívida R$ 11,6 milhões e MPT proíbe repasses

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HR de Ponta Porã vinha sendo administrado pelo Instituto Gerir, que solicitou rescisão do contrato em 11 de março. (Foto: Arquivo)

O Instituto Gerir, que teve a saída da administração do Hospital Regional de Ponta Porã, confirmada nesta terça-feira (19) pela Secretaria de Estado de Saúde, afirma ter uma dívida de R$ 11,6 milhões a receber do governo estadual, referente a investimentos na unidade e serviços que não foram pagos. A pasta reconhece haver uma dívida, contudo, em valores abaixo dos relacionados.

Enquanto o ente público e a OS (Organização Social) se preparam para iniciar discussões sobre o tamanho do passivo, o MPT (Ministério Público do Trabalho) expediu recomendação para que o Estado não realize repasses para a unidade até que os passivos trabalhistas que envolvem os funcionários da unidade de saúde sejam quitados.

O imbróglio envolvendo a administração do HR de Ponta Porã é o último lance de movimentos que, por parte da administradora, acumulava anúncios sobre investimentos realizados na melhoria da unidade, ao mesmo tempo em que era cobrar por atrasos de pagamentos a colaboradores. Nesta terça, a saúde Estadual anunciou o rompimento com a OS, alegando “sucessivas crises” e o descumprimento de metas e existência de ações judiciais em outros Estados nos quais ela gere hospitais, gerando dificuldades no pagamento de fornecedores.

“Insustentável” – Em nota, o Instituto Gerir informou ter solicitado, em 11 de março deste ano, a rescisão do contrato com o governo, apontando falta de regularidade em pagamentos mensais “para que a mesma possa realizar4 a gestão do hospital de maneira efetiva e com qualidade”.

A entidade afirma ter apresentado documentos comprovando ligação entre os períodos de falta de regularidade nos repasses à dificuldade no cumprimento das metas, o que “tornou a gestão do hospital insustentável”, citando como exemplo paralisações de funcionários por atrasos nos salários e em serviços, além da falta de insumos e medicamentos.

O Gerir aponta ter a receber R$ 11.650.438,11 do Estado, dos quais R$ 8.954.055,31 são repasses atrasados e R$ 2.696.382,80 vêm de investimentos em obras não pagas no HR de Ponta Porã. Mesmo com as dificuldades, o instituto ressalta que o hospital recebeu dez leitos de UTI e serviços de hemodiálise, com o número de cirurgias subindo 712%. A nota complementa relatando que o Gerir reconhece dificuldades da saúde estadual “dentro de toda a estrutura e demanda do Estado e espera que a partir deste momento sejam cumpridas as obrigações no que tange à dívida com o Instituo”.

Campo Grande News

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