EAD do Crime: ‘Professor’ dava curso de furto a bancos pelo WhatsApp de dentro da Máxima

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Foto: Ana Paula Chuva.

Conhecido como ‘Professor’, Melrison da Silva era o chefe de uma quadrilha de furto a bancos em Mato Grosso do Sul. De dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, ele dava cursos de como cortar caixas eletrônicos e desativar alarmes.

De acordo com o delegado Fábio Peró, do Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos à Bancos, Assaltos e Sequestros), Melrison era conhecido em outros Estados e até chegou a trocar de apelido para dificultar sua identificação. Ele está entre os 10 presos na Operação Phanton desta quinta-feira (14), desencadeada pelo Garras.

Em 2015 a polícia identificou 8 ações de furto a bancos. “Na época os autores foram identificados e presos, a maioria era do Mato Grosso”, explica Peró. No entanto, acreditando que Mato Grosso do Sul não tinha uma quadrilha especializada, em 2018, o número saltou para 30 ações de furtos no Estado.

“Começamos a investigação em novembro do ano passado e identificamos que o Melrison chefiava o bando de dentro do presídio, dando aulas, ensinando as técnicas de furto, inclusive estava envolvido em furtos no ano de 2016 e 2017”, revela o delegado João Paulo Sartóri.

Os vídeos eram enviados via WhatsApp e os parceiros difundiam as técnicas. Das 30 tentativas de furto em 2018, apenas três foram consumadas. “Identificamos ações a partir das técnicas do Melrison no Paraná, São Paulo, Acre e Nordeste”, conta Sartóri.

Operação Phanton

Desde o início das investigações foram realizadas em Mato Grosso do Sul e outros Estados, 25 prisões em flagrante. Também foram cumpridos 20 mandados de prisão, destes, 10 foram nesta quinta e dois mandados de busca e apreensão. Alexsandro Melo Balbueno, vulgo Flamenguista, Lucas da Silva Xavier, o Dentinho, Xavier do Santos, conhecido como ‘2K’ e Rafael Azevedo da Silva estão entre os presos.

Com apoio de policiais do Choque e do Gaeco, duas pessoas foram presas no município de Chapadão do Sul, um deles com 10 kg de maconha. Em Campo Grande, no bairro Aero Rancho, outro envolvido foi preso em casa com 300 gramas de pasta base de cocaína. Durante as investigações a polícia também apreendeu uma metralhadora 9 milímetros, pertencente ao PCC.

O Garras estima que a quadrilha esteja envolvida em 90% das ações de furto a banco na modalidade corte. Maior parque da organização tem ligação com o PCC, de acordo com a polícia. Os envolvidos que não estavam presos ajudavam fazendo levantamento do local e transporte dos autores.

A polícia informou que tenta uma vaga para os presos desta quinta para o Presídio Federal, já que são os cabeças da organização. “Vamos tentar pleitear uma vaga dos que estão no ápice do organograma, na tentativa de inibir ações deles”, destaca Sartóri.

A Operação Phanton leva esse nome pela facilidade que os bandidos entram nas agências, como ‘fantasmas’. “Vestem manta térmica, se rastejam no banco até chegar na central de alarme sem ser notados, como se fossem fantasmas”, explica Peró.

Midia Max

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