Senadora eleita é chamada de tirana por derrubar presidente de partido

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Soraya excluiu do comando do PSL amigos do presidente - Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

A insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com a exclusão do seu amigo, deputado estadual eleito Coronel David, do Diretório Regional do PSL em Mato Grosso do Sul mostra o clima de guerra com senadora eleita Soraya Thronicke. Ela é acusada de criar crise no partido e constranger o presidente da República com suas “manobras escusas” para atropelar outras lideranças do PSL por conquista de espaço.

A conspiração atribuída à futura senadora derrubou o pecuarista Rodolfo Nogueira da presidência do partido. Ele é outro amigo do presidente da República e integrou a equipe de transição. “Ela é uma tirana”, criticou Coronel David, jogado de lado pela futura senadora. David defende Rodolfo e recusa eventual convite para integrar o diretório com Soraya no comando. O deputado federal eleito Luiz Ovando é outro que não aceita participar do diretório com Soraya na presidência.

A confusão teria começado durante a campanha no ano passado, quando a então candidata ao Senado ligou para o presidente nacional do PSL na época, Gustavo Bebianno, reclamando que os santinhos não estavam sendo impressos com seu nome e imagem.

Por sua vez, Bebianno ligou para Rodolfo que foi conversar com Soraya para saber o que estava acontecendo. A senadora eleita acusa o pecuarista de ter recebido ameaça de morte dele nesse momento.
Ela registrou boletim de ocorrência de ameaça contra Rodolfo, que além de na época, ser o presidente do partido, também é primeiro suplente, cargo dado a ele, por escolha do PSL regional.

Um dia antes das eleições, no dia 6 de outubro do ano passado, Soraya e o segundo suplente e sócio da senadora, o advogado Danny Fabrício, ingressaram uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS) contra Rodolfo alegando a ameaça e pedindo a retirada dele a primeira suplência. Mas a liminar foi negada pelo desembargador Sérgio Martins, dizendo que a chapa é indivisível.

Com a continuação de Rodolfo no cargo, a senadora eleita procurou o atual presidente nacional do PSL, Luciano Bivar e conforme informações de bastidores, teria ameaçado deixar o partido, caso não se tornasse presidente.

A proposta foi aceita por Bivar, tirando então, Rodolfo do cargo. Soraya colocou Danny Fabrício como vice-presidente e o deputado federal eleito, Tio Trutis, como secretário-geral. Na composição da executiva, Soraya excluiu Luiz Ovando, deputado federal eleito e o Coronel David. Segundo Ovando, ele foi a pessoa no centro de tentativa de pacificação do desentendimento entre Soraya e Rodolfo. “O Bivar me pediu para intermediar isso, conversar com a Soraya e com o Danny, sócio dela”, explicou.

O parlamentar eleito comentou que procurou Soraya, mas a decisão foi de Danny. “Em Brasília, nos reunimos para tentar caminhar em prol do fortalecimento do PSL no Estado. Nessa reunião, Soraya se posicionou dizendo que já tinha acertado com Bivar que a presidência seria transferida para ela e pessoal dela iria compor”, contou.

Com isso, o médico e deputado federal eleito disse não ter sido convidado para fazer parte da executivo regional. “Não fui convidado para compor. Encaro com naturalidade ela ser presidente regional. Tenho princípios que norteiam minha vida. Se ela me convidasse, provavelmente eu não aceitaria”, relatou. Ainda segundo informações de bastidores, Soraya “derrubou” Rodolfo sem aval de Bolsonaro.

Conforme Coronel David, ele não foi convidado para fazer parte do diretório, certamente porque esteve ao lado de Rodolfo. “Certamente porque ao longo dos problemas que tivemos durante a campanha sempre estive ao lado do Rodolfo por entender que ele foi injustiçado na suposta ameaça feita contra a senadora”, declarou.

David falou que os documentos apresentados por Rodolfo na Justiça, provam sua defesa. “Ela (Soraya) viu que eu era ligado ao Rodolfo e ela quis tirar a gente do diretório regional. Não concordo com a forma que ela agiu, de forma tirana, esquecendo rapidamente quem a colocou nessa posição. Um sentimento de ingratidão”, disse.

Correio do Estado

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