Morte de Daniel chocou São Bento: “tudo muito estranho”

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Foto: Reprodução/Twitter / Estadão Conteúdo

Seis pessoas estão presas suspeitas de ligação com o crime; time do jogador descreve sua personalidade como ‘tímida e tranquila’

SOROCABA – Os jogadores e dirigentes do Esporte Clube São Bento, de Sorocaba, interior de São Paulo, ainda estão inconformados com a morte do jogador Daniel Corrêa de Freitas, de 24 anos, assassinado no dia 27 de outubro, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. As circunstâncias da morte, em que os autores do crime acusam Daniel de suposto estupro, deixa perplexo o supervisor de futebol do clube paulista Giovanni Coutinho. “Não condiz com a imagem que temos dele. Era um rapaz tímido, recatado, pouco dado a bebidas e baladas. Ficamos muito chocados”, disse.

O jogador, que tinha contrato com o São Bento até o fim do ano, foi espancado, colocado no porta-malas de um veículo e levado para um terreno baldio, onde teve o pênis cortado e foi praticamente degolado. Um dos supostos autores do crime alegou que, bêbado, Daniel teria estuprado sua mulher.

“A morte e todas essas circunstâncias causaram muita surpresa em quem conhecia o Daniel. Ele era super responsável, nunca se atrasou para um treino. Era tão tímido que até arrancar um sorriso dele era difícil”, disse Coutinho. Na na última terça-feira, o delegado da Polícia Civil de São José dos Pinhais, Amadeu Trevisan, afirmou que não houve tentativa de estupro. As investigações do caso ainda estão em curso.

O supervisor do São Bento lembra que, no jogo pela série B do Brasileirão em que o São Bento venceu o Guarani por 1 a 0, no dia 6 de outubro, Daniel estava no banco de reservas e, no vestiário, enquanto os jogadores celebravam a vitória, o capitão Fábio Bahia pediu a ele que também se manifestasse. “Ele disse que o elenco todo estava de parabéns. Foi a única vez que falou para o grupo, por isso até fizeram alguma gozação com ele.”

Daniel não ia a festas, segundo jogadores

Dois jogadores que pediram para não serem identificados acharam estranho a bebedeira atribuída a Daniel. Eles contaram que o atleta era convidado para festas e preferia ficar em casa. Nos quase quatro meses em que morou em Sorocaba, ele nunca foi visto embriagado.

Daniel chegou ao São Bento por empréstimo do São Paulo, no dia 18 de junho, com contrato até o fim do ano. Ele vestiu a camisa do clube em jogos contra o Criciúma, em que o São Bento foi derrotado por 1 a 0, e na partida contra o Avaí – derrota pelo mesmo placar -, além da vitória contra o Guarani. Nos dois primeiros jogos, o lateral entrou no segundo tempo.

No dia 16, antes de viajar para Curitiba, onde tinha amigos, pois atuara no Coritiba, ele treinou com a equipe no Estádio Municipal Walter Ribeiro. “No dia seguinte, o São Bento tinha um jogo contra o CRB, mas o Daniel não foi relacionado para a partida. Com isso, ele ficou livre para viajar e aconteceu tudo isso. É tudo muito estranho.”

O atleta morava sozinho, num apartamento alugado por ele, na região central da cidade. O motorista de aplicativo Julio Ferreira, que o levou algumas vezes para os treinos, disse que o jogador era “quieto, na dele”. “Eu puxava conversa, mas ele não ia adiante, mas era muito pontual. Queria chegar sempre adiantado no estádio.” A diretoria do São Bento informou que acompanha o caso e confia na Justiça.

TERRA

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